sábado, 7 de maio de 2011

Consciência fonêmica: importância na alfabetização de crianças

Ainda que possa parecer estranho para muitos de nós, nossas crianças não se iniciam no universo da alfabetização estabelecendo relações entre letras e sons. Em verdade, esta é uma das últimas etapas do processo, que chamamos de Consciência Fonêmica.

E o que seria essa consciência? E por que tão importante para quem está em processo de alfabetização?

A Fonologia (dela vem o termo fonêmica), de forma sucinta, é campo da Linguística que tem como seu objeto os fonemas. Os fonemas são unidades abstratas que representam os sons de uma língua. Nossa língua portuguesa, por exemplo, possui 31 fonemas. E como nossa escrita é alfabética, contamos com 26 letras para que possamos representar graficamente estes 31 sons.


Tomemos a palavra sapo como exemplo. Em sapo temos quatro letras/grafemas: S, A, P e O. Quando pronunciamos sapo, pronunciamos os fones, cada som que forma a palavra dita. Como a Língua Portuguesa oral é vasta e existem várias formas de pronunciar as palavras dependendo das regiões e do contexto social do falante, usaremos o modo comum que nós, soteropolitanos, falamos. Seria mais ou menos assim: /‘sapu/, esta é a representação de cada fonema da palavra (veja aqui alfabeto fonético).

Dizemos que uma criança possui Consciência Fonêmica se a criança, quando lhe é apresentada oralmente a palavra sapo, é capaz de segmentá-la em seus quatro fonemas constituintes; /s/, /a/, /p/ e /u/.

A consciência fonêmica muitas vezes é confundida com a consciência fonológica. De fato, a primeira é parte integrante da segunda, no gráfico a seguir vocês podem entender melhor esta relação:



Quando a criança não possui consciência fonêmica, pode haver uma maior dificuldade para que a aprendizagem da lectoescrita ocorra, por isso ela é tão importante. Dado que as pessoas não prestam atenção aos sons produzidos pela fala, mas apenas aos significados das palavras como um todo, é um grande desafio fazer o alfabetizando perceber essas nuances da fala e segmentá-la em fonemas.

Neste sentido, os professores devem auxiliar as crianças no desenvolvimento da consciência fonêmica e, para isso, é necessário que tenham conhecimento da estrutura de nossa língua e de aspectos da Fonologia (estudo da função e organização dos sons em sistemas) e da Fonética. Em um próximo post, prometo apresentar algumas atividades para desenvolvimento de consciência fonêmica. Até breve.


Marília L.

Referências:

ADAMS, M. J.; FOORMAN, B. R.; LUNDBERG, I & BEELER, T. Consciência fonológica em crianças pequenas. Porto Alegre: Artmed, 2006.

LEMLE, M. Guia teórico do alfabetizador. 16ª Ed. Série Princípios. São Paulo: Ática, 2004.

SANTOS, R. S.; SOUZA, P. C. Fonética. In: FIORIN, J. L. (org.) Introdução à lingüística II: princípios de análise. São Paulo: Contexto, 2003.

4 comentários:

Aline disse...

Que coisa boa! Ficarei esperando as atividades. Parabéns ao grupo pelo blog.

Anônimo disse...

MUITO INTERESSANTE O SEU POST, POIS É FUNDAMENTAL DESPERTARMOS PARA ESSA DIFERENCIAÇÃO A FIM DE AUXILIAR OS ALUNOS NO PROCESSO DE LETRAMENTO. Eu que sou de outro estado, sou exemplo latente da variação linguística, fico imaginando o que será de mim dando aula a uma turma de 1º ano!!!!O conhecimento que você compartilha já é o primeiro passo!!!

Marcília Elane - L.E.G

lucia disse...

Interessante! O difícil é convencer os gestores das escolas de ensino infantil.

Elisa Lima disse...

Super interessante seu esclarecimento sobre a diferença da consciência fonológica e fonêmica!
É muito importante que os professores tenham essa noção para melhor atender as necessidades dos alfabetizandos.

Me interessei pelo seu blog e te coloquei como favoritos no meu blog,para sempre que puder dá uma olhada e ficar antenada nas dicas!

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